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Dom CARLOS I - (28.11.1863-1.2.1908)

Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança. Filho de Dom Luís I e Dona Maria Pia de Saboia. A 22 de maio de 1886 casou com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Orléans, tendo subido ao trono em 19 de outubro de 1889.

Cognominado O Diplomata, em virtude das múltiplas viagens que efetuou a Madrid, Paris e Londres, retribuídas com as visitas a Lisboa dos reis Afonso XIII de Espanha, Eduardo VII do Reino Unido, do Kaiser Guilherme II da Alemanha e do presidente da República Francesa, Émile Loubet. Foi considerado pelos contemporâneos como um monarca bastante inteligente, não obstante o seu reinado se tenha caracterizado por constantes crises políticas e generalizada insatisfação popular. Logo no ano de 1890, o Reino Unido apresentou o Ultimato, mediante o qual Portugal era intimado a desocupar os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique (Mapa Cor-de-Rosa), como forma de evitar um conflito entre os dois Estados. A nomeação do general João Franco como primeiro-ministro, sem a prévia realização de eleições, influiria determinantemente na disseminação e consolidação dos ideais republicanos.

Deslumbrado pelas novas tecnologias emergentes, Dom Carlos instalou luz elétrica no Palácio das Necessidades e traçou planos para a eletrificação das ruas de Lisboa, tendo sido um dos pioneiros da moderna oceanografia. Foi ainda um amante da fotografia e aguarelista talentoso, que assinava simplesmente Carlos ou Carlos Fernando. Quando em visita a Mafra, em veraneio ou com o propósito de assistir a exercícios militares, efemérides da Escola Prática de Infantaria e Cavalaria, ou presidir a alguma sessão de ginástica, tiro ou esgrima, aproveitaria todas as oportunidades para desfrutar do seu passatempo predileto: a caça, o qual partilhava com a esposa Dona Amélia. No seu tempo, informa Tomás de Mello Breyner, seria introduzido um método expedito para caçar os pombos bravos que nidificavam nos respiradouros das Necessárias do Convento de Mafra: o fumo de archotes, colocados ao nível dos esgotos, obrigava as aves a sair em bandos, bastando a Dom Carlos e demais caçadores, que se postavam nos terraços, ter boa pontaria. Da imprensa regional mafrense coeva, sobressai a ideia de que as visitas régias dinamizavam o comércio local, circunstância que, evidentemente, agradava aos comerciantes da vila que viam nelas boas perspetivas de negócio.

Dona AMÉLIA
(28.9.1865-25.10.1951)
Maria Amélia Luísa Helena de Orléans. Filha de Luís Filipe Alberto, Conde de Paris e Duque de Orléans e de sua esposa, Maria Isabel Francisca de Assis, Infanta de Espanha. Casou, a 22 de maio de 1886, com Dom Carlos I. Partiu para o exílio, da Ericeira, a 5 de outubro de 1910.