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MAFRA PATRIMÓNIO MUNDIAL

Inscrição na Lista do Património Mundial do Real Edifício de Mafra — Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada, em Mafra.

[…] Critério (iv) O Real Edifício de Mafra reflete a conceção de poder absoluto no reinado de D. João V, bem como de uma estratégia de consolidação do império português, de soberania nacional, de afirmação da legitimidade dinástica, e de aproximação às fontes de autoridade internacionais, nomeadamente do Papado de Roma.

A dimensão internacional do império português e do seu soberano está na origem do gigantismo da construção e das opções estéticas tomadas, preconizando-se uma obra vanguardista, sintetizando os melhores exemplos de arquitetura barroca ao modo de Roma. Neste sítio cultural espelham-se características que fazem com que esta seja uma das mais importantes obras do barroco nacional e europeu, considerando não apenas a sua dimensão e rigor construtivo, mas, também, algumas peças integradas, como os carrilhões e os órgãos da basílica, conjuntos musicais de excecional relevância no mundo. A Tapada é um exemplo de criação de paisagem em grande escala formando uma unidade de gestão territorial umbilicalmente ligada ao palácio, ao convento e ao jardim.

Integridade
Ao longo do tempo o Real Edifício de Mafra manteve as características que definem o seu valor universal excecional. Os trabalhos realizados ao longo dos séculos foram destinados a manter o edificado, preservando as proporções e os volumes, prolongando a sua vida sem alterações da sua estrutura e fisionomia. Destaca-se a coerência do desenho, o ritmo, a simetria, a qualidade estética e a harmonia, a dignidade da obra, a qualidade irrepreensível de todos os detalhes do projeto e da sua execução, a competência construtiva, a boa repartição dos recursos, a prudente administração da obra e a eficiente criação de espaços em função das necessidades. As ameaças ao Bem são principalmente relacionadas com as amplitudes térmicas, ventos e rajadas carregados de salsugem provenientes do litoral atlântico, bem como com o perigo de incêndios florestais no verão.

Autenticidade
Durante os seus cerca de 300 anos de existência, o Real Edifício de Mafra não registou alterações significativas que comprometessem a sua autenticidade no que refere à sua conceção, forma e materiais, apenas registando pequenas adaptações reversíveis. Do ponto de vista do restauro e da preservação, destacam-se as mais recentes: a intervenção nos seis órgãos da basílica, o restauro das pinturas murais da Sala do Trono e o restauro dos carrilhões.

Apesar das transformações políticas, económicas e sociais ocorridas entre o século XVIII e a atualidade, o Real Edifício foi-se adaptando a diversas funcionalidades sem, no entanto, perder as suas características de base. Embora tenha perdido a função de residência de Estado, em consequência da Implantação da República em 1910, ganhou a valência museológica e a fruição pública; com o fim da função como convento, decorrente da extinção das ordens religiosas em 1834, foi adaptado ao uso de instituições militares. A Basílica deixou de ser capela-real mas manteve o culto, passando a acolher a sede da Paróquia aí instalada em 1836. A biblioteca preserva, até hoje, a sua missão de apoio ao estudo e à investigação.

[…] A gestão cultural deste Bem é assegurada pelos serviços da Direção-Geral do Património Cultural […], mantendo um diálogo construtivo e aberto com todos os parceiros que integram a gestão do Bem e da respetiva ZEP, conforme consignado no Decreto-Lei n.º 309/2009, de 23 de outubro, que estabelece restrições adequadas para a proteção e a valorização das áreas envolventes dos bens culturais.

Localmente a gestão integrada do Bem é garantida pelas seguintes entidades: a Direção-Geral do Património Cultural/Palácio Nacional de Mafra; a Câmara Municipal de Mafra; o Exército Português/Escola das Armas; a Tapada Nacional de Mafra; e o Patriarcado de Lisboa/Paróquia de Santo André de Mafra.