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SINO DA IGREJA DE SANTO DE ANDRÉ DE MAFRA

Sino

1739
bronze; 800 x ø 700 mm
Museu Municipal Prof. Raúl de Almeida: inv. MM.05283

Tudo aponta para que este sino tenha pertencido à Igreja de Santo André, tocado em datas festivas (festividades religiosas, casamentos, batizados, enterros, etc.), pois segundo Virgílio Correia, entre as ruínas da torre sineira da Igreja de Santo André, achavam-se dois sinos em bronze, de grande porte, um deles datado de 1739.

Os sinos ocupam lugar destacado na religiosidade e no imaginário, substituindo-se às trombetas de prata que na Lei escrita chamavam os israelitas para os sacrifícios no Tabernáculo. Eles são, com efeito, ainda hoje essenciais na celebração dos ritos de passagem: nascimen¬to, casamento e morte, bem assim como na mar¬cação dos ritmos da vivência rural, nomeadamente na definição dos tempos de trabalho e de repouso (nos crepúsculos e ao meio-dia). Eis uma das razões porque, na Idade Média, foram designados consoante a função que desempenhavam. Nas paróquias mais abastadas, a igreja possuía vários sinos com fins específicos: a campana, ou sino grande, dependurado na torre ou campanário (tradição introduzida, segundo consta, cerca do ano 400, por S. Paulino, bispo de Nola); o squilla ou sanctus, pequeno sino existente junto ao coro que tocava nos diferentes momentos do serviço religioso; dupla, sino que marcava as horas do dia; cymbalium, sino existente no claustro para dar sinais aos frades; nolla (ou nola), no refeitório; corrigiunculum, tocado quando sucedia alguém ser punido com flagelação. A igreja católica batiza e benze os sinos, estando prevista ainda a bênção do metal destinado ao sino, sobre o bronze em fusão (alguns fundidores de sinos acreditavam que o sangue menstrual prejudicava o seu trabalho, pelo que as mulheres eram por vezes afastadas de um rito que terminava com uma oração especial para o bom sucesso da empresa). O ato da sagração de um sino era precedido da recitação de vários salmos e da bênção do sal e da água, acompanhada por orações específicas, uma das quais alusiva ao poder do sino. O oficiante e acólitos lavavam, então, totalmente o sino, interior e exteriormente, enxugando-o de seguida. Concluída a lavagem, com o dedo polegar molhado no óleo dos enfermos, o oficiante fazia uma cruz sobre cada sino e, depois, mais outras sete, simbolizando os sete sacramentos da Igreja. Depois fazia quatro cruzes no interior do sino, com o Santo Crisma, significando os quatro pontos cardiais. Depois de outras orações, o prelado colocava o turíbulo com incenso e outros perfumes debaixo do sino até que a campânula ficasse completamente cheia de fumo (o Ritual Romanum posterior a 1984 fez desaparecer todas as referências à unção e lavagem dos sinos, bem como ao seu poder de esconjurar o demónio).