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MUSEU DE MAFRA (1911-1938). O PRIMEIRO CRIADO PELA REPÚBLICA

Os participantes no Congresso Internacional de Turismo realizado em Lisboa, em 1911, repartiram o seu tempo entre as sessões de trabalho e as excursões a diversos pontos do país.

A Mafra viria a caber no programa das visitas o já longínquo dia 14 de maio desse ano. Foi preparada localmente uma receção condigna - de que constavam, entre outras iniciativas, uma parada agrícola, arraiais e festas populares - por uma comissão expressamente constituída, presidida pelo Dr. Carlos Galrão.

Os excursionistas, saídos da Praça dos Restauradores duas horas antes, chegariam a Mafra cerca das 11.20 horas, sendo recebidos com muitos foguetes e por uma chuva incomoda que perturbou irremediavelmente o programa (publicitado por folha volante distribuída profusamente), o qual havia de ser parcialmente cancelado.

Após uma rápida visita a Basílica, foram conduzidos até à Sala Elíptica, onde seria servido pelo Hotel Castro, a 93 convivas, o almoço. Durante o almoço, que decorreu animadíssimo, tocou a Banda de Infantaria I e, no final, uma senhora francesa e outra espanhola, percorrendo a mesa em volta, fizeram uma subscrição a favor dos pobres de Mafra que rendeu 23$370 reis. À saída da mesa do almoço, da tribuna que lhe ficava superior, um grupo de senhoras da vila lançou sobre os congressistas grande quantidade de flores, gentileza essa que “muito os cativou”.

Os congressistas puderam então visitar detidamente o edifício, encaminhando-se, por fim, para o Palácio onde tiveram ensejo de proceder a inauguração do Museu de Arte Decorativa, dez salas consecutivas na ala poente, reunindo a quase totalidade do recheio sacro e profano ate a data ali arrecadado. O ato, presidido pelo ministro das Finanças da época, deu corpo a um projeto de José Relvas, concretizado por José Queiroz no prazo recorde de quarenta dias, conforme o próprio confessa na pequena brochura publicada na ocasião (Museu de Mafra - inauguração).